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20.04.2020

A Escola e as suas Arquitecturas nesta nova Época

Alexandre Marques Pereira • Senior Partner and Architect

 

“The coronavirus has shown us in a painful way that humanity is a single organism”  Arvo Pärt (1)

O ensino e a aprendizagem, as suas pedagogias e as suas arquitecturas, em todos os seus segmentos, desde os Jardins de Infância, até ao ensino pré-universitário, mudou muito nos últimos cento e poucos anos, atravessou várias crises mais ou menos globais e foi sofrendo avanços, recuos e transformações diversas.

A escola, as suas modernas pedagogias e a sua materialização, como um pouco nas outras actividades da nossa sociedade, foi na reação aos tempos de crise global, que se conseguiram de facto os principais avanços na sua prática pedagógica e na sua construção. Foram nesses momentos, nomeadamente após a primeira grande guerra e a segunda guerra mundial, que houve o tempo, o espaço e a oportunidade de se construir e avançar com o pensamento teórico, que anteriormente estava a ser elaborado, seja pelos pedagogos, pelos arquitectos, pelos sociólogos, ou por tantos outros, adaptando-se então às novas circunstâncias como resposta às novas épocas.

Será também agora, que as escolas terão forçosamente que se re-adaptar de novo, continuando a ser pensadas como espaços de aprendizagem, agora ainda mais flexíveis, deverão ser como uma “casa e uma cidade”, para esta nova época que dramaticamente se assume como um todo, deverão ser pensadas para conter espaços para albergar as antigas e as novas aprendizagens mais cooperantes e imaginativas, agora apoiadas ainda mais nas novas tecnologias, no seguimento da prática mais ou menos forçada dos professores e das crianças, agora um pouco por todo o mundo.

Assim como a habitação se transformou ou se adaptou, bem ou mal, momentaneamente, ou não, também em espaços de trabalho, de partilha e de aprendizagem, também as escolas, terão de continuar a se transformarem ou re-adaptarem em “casas” mais saudáveis, mais confortáveis, espaços naturalmente bem iluminados e bem ventilados, espaços mais versáteis, para os diversos tempos e modos de estar, espaços para aprender, para brincar, para criar laços, para comer, para descansar, para correr, para ler, interagir, ao sol ou à sombra, no interior ou nos exteriores, ou nos espaços de fronteira.

Enfim, as escolas e as suas arquitecturas, assim como os outros diversos espaços, edifícios e cidades, onde todos nós vivemos, deverão agora aproveitar esta oportunidade para se re-pensarem, se re-programarem e se re-adaptarem, dando continuidade às boas práticas, agora adaptadas, e sobretudo, deixar em definitivo para trás os inúmeros espartilhos formalistas e normativos existentes, que muitas das vezes bloqueiam a materialização de novas práticas, na criação de novos espaços, mais flexíveis, pensados para conter novas possibilidades, inovadoras, criativas, assertivas, assumidamente contemporâneas e adaptadas aos novos Tempos e a esta nova Época.

 

(1) By Estonian World / April 13, 2020 / 4 minutes of reading https://estonianworld.com/category/culture/

 

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