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25.05.2020

O bicho… e… outros bichos mais!

José Campos Forte • Administrator

 

Um dia, corria o mês de Fevereiro de 2020, descobrimos que um “bicho”, a que chamaram de “novo corona vírus”, andava à solta lá para os lados da China e mais não sabemos, nem sequer onde, quando e porque nasceu! Passados poucos dias descobrimos ainda que o dito “bicho”, muito rapidamente, ia passando de pessoa em pessoa, multiplicando-se de imediato dentro de cada um de nós e partia, a uma velocidade estonteante, para outra e mais outra pessoa, num ciclo incessante. Mas o “bicho” não passava apenas por nós, causava estragos avultados na nossa máquina e, numa percentagem muito elevada, destruía-nos, até à morte!

Eis senão quando, mais descobrimos, descobrimos que o “bicho” já estava à nossa porta, mas não só, tinha encetado uma luta de expansão e conquista a nível mundial. A guerra com o “bicho” instalou-se, o mundo mobilizou-se, ou melhor, tentou mobilizar-se rapidamente, mas desgraçadamente não conseguiu e o “bicho” continuava imparável, galopando sob a enorme e aterradora debilidade dos países, das sociedades, dos serviços públicos e privados, das empresas e das mais diversas organizações, enfim, de todos! Corremos para casa assustados, fechámo-nos, concentrámo-nos na orientação e organização dos hospitais e toda a máquina da saúde, na tentativa de controlar os estragos que o “bicho” estava a causar num número galopante de pessoas, matando uma boa parte delas!

Em paralelo, tenta-se apoiar as empresas para evitar o seu colapso, com o correspondente desemprego imediato que tal situação geraria. Por outro lado, revelou-se desde logo a necessidade de apoiar também directamente as famílias que viram o seu rendimento reduzido de imediato, face aos constrangimentos que precipitadamente ocorriam.

Em finais de Abril, embora sem nenhuma certeza, excepto a de que teríamos de conviver com o “bicho”, sem no entanto sabermos bem como, nem por quanto tempo, mas havendo porém a consciência de que seria possível dominá-lo, apesar de ainda o não conhecermos suficientemente bem.

Chegados aqui, a reorganização e recuperação da economia, que à escala mundial se encontra numa situação de debilidade nunca vista, ganha uma urgência total e absoluta. O esforço financeiro que tudo isto irá acarretar é duma dimensão tal, que os países não terão capacidade para o fazerem sozinhos, mesmo aqueles que outrora eram fortíssimos sob o ponto de vista financeiro. Os “blocos dominantes” a nível mundial têm que decidir se querem ou não continuar reafirmar-se nessa condição e, se de facto quiserem, terão de se reinventar muito rapidamente, no sentido de ganharem maior coesão e, em conjunto, conseguirem ultrapassar esta crise num curto espaço de tempo. De notar que a presente crise não é ultrapassável de modo solitário por nenhum país, o esforço terá de ser colectivo, equitativo e solidário.

Pensando agora naquilo que nos é mais próximo e, portanto, nos toca muito – as nossas empresas. Todos sabemos que as crises são um enorme desafio, só superável com muita luta e em total união. No passado resistimos e saímos mais fortes de várias crises, designadamente da crise decorrente da violentíssima actuação do “bicho troika”, ao nível da sua inusitada política de austeridade.

Temos de enterrar pela totalidade a fase do medo, isto é, não podemos deixar que o medo modele a nossa actuação, mas, ao invés, não devemos esquecê-lo. Existem de facto situações alarmantes de altíssimo risco, em termos da saúde e de constrangimentos sociais, económicos e financeiros a nível mundial que, com toda a certeza, nos afectarão. A solução é ir sempre modelando a nossa gestão, tendo como premissa base o não reconhecimento de certezas absolutas, nem de incertezas inultrapassáveis, formulando, ao contrário, a decisão nas convicções formadas com base em origens diversas e diferentes opiniões – a flexibilidade na acção é neste momento mais determinante do que nunca!

A dimensão e o tipo da procura são os factores que mais condicionarão o nosso futuro imediato e a médio prazo. A única via para mitigar esta situação é melhorar permanentemente a nossa organização, focando-nos cada vez mais nos nossos Clientes, executando os seus trabalhos com uma qualidade cada vez melhor e nos prazos acordados – temos obrigatoriamente de nos superar. É ainda necessário melhorar os serviços de apoio que já vimos colocando à disposição do Cliente, mas teremos ainda de desenvolver outro tipo de serviços, tais como estudos de viabilidade económica e financeira, apoio à obtenção de financiamentos, etc..

Salientamos que quando nos referimos à qualidade do projecto não estamos a falar propriamente e apenas na qualidade de execução do projecto, mas, também e fundamentalmente, na concepção, nos aspectos estéticos e de funcionalidade, bem como nas soluções construtivas adoptadas, não esquecendo nunca o equilíbrio da relação custo/benefício do objecto projectado.

Hoje em dia, ainda em resultado da devastadora política de austeridade levada a cabo pelo “bicho troika”, o nível do apoio técnico à execução das empreitadas, por parte das empresas de construção e das fiscalizações, baixou assustadoramente, havendo em consequência uma generalizada tentativa de transformar a “assistência técnica ao projecto em fase de obra” numa “assistência técnica à obra”, sem qualquer remuneração para o efeito. Para além disto, os projectistas não estão preparados para dar tal assistência à obra, nem a empresa, como atrás referido, tem obrigação de o fazer, se para o efeito não fôr devidamente remunerada. Este aspecto é bastante melindroso e começa a ter uma enorme relevância, já que, as questões mal resolvidas em obra geram normalmente custos elevados para o Cliente e prejudicam a qualidade final dos empreendimentos.

De notar que, inúmeras vezes, as questões em obra decorrem de erros e omissões de projecto, que resultam normalmente da falta de qualidade dos mesmos e/ou das medições e orçamentos que o integram. Este aspecto carece de especial atenção. Para que continuemos a afirmarmo-nos no mercado nacional e internacional é imperativo mantermos um nível de exigência individual e colectivo muito elevado.

Para o final deixámos os aspectos da empresa ligados à gestão das áreas administrativa e dos recursos humanos, informática e financeira, e, ainda, a área internacional.

Temos de optimizar alguns aspectos relacionados com a gestão administrativa e de recursos humanos. Um dos grandes problemas que historicamente temos é a implementação de procedimentos – pensamos neles bem e atempadamente, criamo-los, mas não conseguimos implementá-los e/ou alimentá-los de forma natural – só à força! É imperioso resolver este velho problema, porque dele decorrem muitos e menos agradáveis problemas.

A informática teve um desenvolvimento enorme no passado recente. O “bicho” que nos declarou guerra, ou quiçá nos veio trazer um conjunto de recados e conselhos com o objectivo de nos afastar de um qualquer precipício, fez, ou melhor, está a fazer com que o digital exploda. Falo, por exemplo do trabalho à distância. Há até gente muito conceituada ao nível da gestão que diz que quem não implementar um modelo agregador da evolução digital em curso, não sobreviverá. Há também gente que pensa que o excesso de exposição às novas tecnologias condena à inactividade cerebral, a um cérebro solitário. Pelo meu lado, considero a evolução digital fascinante, mas, por outro lado, considero nada aconselhável a criação de cérebros solitários, naturalmente sem vertente afectiva. Digital sim, trabalho à distância sim, mas tudo com conta peso e medida, e de acordo com a essência e natureza de cada profissão.

Em relação à gestão financeira salientamos, como aspecto mais relevante, a necessidade de transformar custos fixos em custos varáveis, como única forma de mitigar as incertezas do futuro no que respeita à tal dimensão da procura. Será colocar toda a empresa em altíssimo risco se não iniciarmos, desde já, este processo pois, não devemos de modo algum permitir que a empresa possa um dia não ter uma carteira, cuja execução não liberte meios para suportar a estrutura existente a cada momento. Teremos, no entanto, de ter a capacidade de dispôr de uma bolsa de prestadores externos de serviços, que garantam a execução da carteira que a cada momento a procura do mercado possibilite angariar. O equilíbrio entre a estrutura fixa da empresa e a capacidade de angariação é um factor chave de sucesso de importância determinante.

Quanto à área internacional teremos de prosseguir com a reconfiguração das geografias onde estamos presentes, procurando novos mundos, novos países com economias mais maduras, robustas e estáveis. A globalização e tudo daí decorrente, sofrerá certamente uma grande mudança, pelo que, é de todo aconselhável agir com muita flexibilidade, mas, em simultâneo com muita prudência.

As palavras de ordem em termos empresariais a ter sempre presentes devem ser: reestruturar, ajustar, formar, capitalizar, …, nunca esquecendo a consciência e responsabilidades sociais.

Desde a nossa criação até hoje, sobrevivemos a todos os “bichos” que nos visitaram, porque sempre procurámos manter o rumo ditado pelas nossas palavras de ordem, com espírito de sacrifício, muito trabalho e respeito pelos nossos Clientes. Crescemos todos os anos com resultados positivos e cumprindo com os nossos Colaboradores e Fornecedores tudo aquilo a que nos obrigámos.

O nosso grande objectivo é dizer e fazer exactamente o mesmo depois de vencido este “bicho”.

 

Lisboa, 10 de Maio de 2020

 

Bem hajam.

 

José Campos Forte

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