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12.05.2020

Revisitando o conceito das cidades, e dos edifícios

A IMPORTÂNCIA DO SEU EQUILÍBRIO COM O ESPAÇO NATURAL

 


Liliana Soares • Senior Partner S+A Green Lab

 

Pouco sabemos ainda do impacto real que terá esta pandemia. Sabemos, porém, que o iremos sentir e esperamos todos que algumas iniciativas positivas possam surgir deste período.

Assim será para todas as áreas, mas gostava de sublinhar algumas das oportunidades que me parecem importantes para o ambiente e desenvolvimento sustentável, particularmente no contexto das cidades e dos edifícios.

Recordamo-nos todos das notícias que começaram a surgir sobre as nossas cidades apenas alguns dias depois de boa parte do mundo se encontrar em lockdown: a qualidade do ar a melhorar significativamente, os animais selvagens que começaram a invadir os espaços urbanos ou o smog que, inexistente, nos permitiu alcançar visibilidades esquecidas.

A cada nova notícia que surgia, mais evidente parecia o quão pouco harmonioso é a maioria dos nossos espaços urbanos: bastaram dias para que veados, golfinhos e outros animais voltassem a ocupar espaços que na verdade nunca deveriam ter desocupado.

Outras notícias importantes chamaram-nos a atenção para os riscos que corremos cada vez que pressionamos e ocupamos espaços naturais. A desflorestação é mais do que uma perda de espaço natural, é também um risco de contacto com doenças e vírus aos quais o nosso sistema imunitário não sabe reagir. Há um equilíbrio biológico que é importante manter em cada ecossistema e o que às vezes nos parece exagerado quando vemos os nossos projetos sujeitos a restrições ambientais é não mais do que o assegurar que esse equilíbrio não se perde.

Nós que trabalhamos a área da sustentabilidade temos este desafio, o de garantir que as partes se ligam com um desígnio comum e que, quase sem que tal seja percetível, possamos funcionar como mediadores desse desígnio: o de garantir um mundo equilibrado.

Numa outra escala, refletindo agora sobre o quotidiano de muitos de nós, talvez seja agora o momento de repensar as nossas casas, os nossos espaços e os nossos hábitos. Afinal muitos podem trabalhar em casa e se calhar parte significativa das nossas deslocações diárias são apenas desnecessárias. Afinal as pilhas de papel que tínhamos de submeter para licenciamentos e afins podem ser substituídas por formatos digitais.

Ninguém desejou ou alguma vez imaginou estar perante uma pandemia, mas ela cá está e, em suma, era bom que nos ajudasse a repensar:

• As nossas cidades e o quão importante é garantirmos o equilibro de espaço urbano e natural, reduzir emissões atmosféricas e promover o bem-estar dos seus habitantes;

• Os nossos espaços de trabalho e a forma como o nosso trabalho pode ser desenvolvido intercalando o físico com o digital, as atividades presenciais com as atividades remotas;

• As nossas casas que afinal podem e devem ser multifuncionais, flexíveis e adaptáveis.

Por fim deixo-vos uma notícia que neste contexto não deixa de ser positiva (e obrigada Miguel pela partilha), da “European alliance for a green recovery” lançada por alguns membros do parlamento europeu com o apoio de algumas importantes organizações internacionais.

Que este seja o início de uma recuperação sustentável.

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